20/11/2009

BARCELOS (Sítio e Pico dos)


Pico dos Barcelos
(Foto do autor)

BARCELOS (Sítio e Pico dos) - Sítio povoado da freguesia de Santo António do Funchal. Neste se ergue uma pequena colina, conhecida pelo mesmo nome, (Pico dos Barcelos). É ponto obrigatório de atracção para todos os turistas que visitam a Madeira tendo sido construído nele um miradouro. Neste, descortina-se largas vistas sobre o anfiteatro da cidade capital do arquipélago, o Funchal, desde a Ponta do Garajau (este) até ao Cabo Girão (oeste) e todo o concelho de Câmara de Lobos, passando pelas serras e picos adjacentes para norte e terminando nas ilhas Desertas, a sudeste.
Segundo o Dicionário Corográfico do Arquipélago da Madeira (Silva, Padre Fernando Augusto da, 1934), «parece que este sítio tirou o nome de Diogo Barcelos um dos primitivos povoadores, que por ali possuía alguns tractos de terreno.» Igual premissa, nos transmite o mesmo autor no Elucidário Madeirense.


Sítio e Pico dos Barcelos
(Visto do Pico do Buxo, São Martinho - foto do autor)


Conhecido inicialmente por sítio e pico «do Barcelos», hoje «dos Barcelos», diz-nos, Nelson Veríssimo, sobre a origem deste topónimo, que o mesmo, está «relacionado com o apelido Barcelos, com origem, por certo, no topónimo minhoto», Barcelos, cidade do norte de Portugal, banhada pelo rio Cávado, no Minho. E, mais adiciona o mesmo autor que, «Diogo de Barcelos foi procurador dos negócios da Câmara do Funchal, por diversas vezes, desde 1486. Era homem bom do Funchal e fidalgo. Na acta da vereação da Câmara do Funchal, de 27 de Junho de 1495, esclarece-se ser “escolar em Cânones”. Em Novembro de 1572, há uma referência documental ao topónimo Pico do Barcelos (Costa, 1995: 124, 354 e 391; ARM, Mis. do Funchal, 710, fls. 332 v.º-333, cit. por Guerra, Apontamentos…). Em 1516, encontramos um João Fernandes Barcelos no rol dos homens bons da Câmara do Funchal (AHM, XVIII, 1974: 585).» (Toponímia: património a preservar. In: lharq, Revista de Arqueologia e Património Cultural, n.º 4, Machico, ARCHAIS - Associação de Arqueologia e Defesa do Património da Madeira, 2004, pp. 49-59).


Pico dos Barcelos e Pico do Buxo
(Vistos do Pico da Cruz, São Martinho - foto do autor)


Num artigo da jornalista Marília Dantas, publicado no Jornal da Madeira de 27 de Julho de 2008, com o título «Pico dos Barcelos já foi zona de cultivo de seda», e segundo esta, «ao que tudo indica, o Pico dos Barcelos desde sempre foi um local importante. De acordo com o historiador Emanuel Janes, a designação “Barcelos” surge do nome de um dos povoadores da Madeira, Diogo de Barcelos» […]. «A este foram distribuídas terras naquela localidade para exploração. Como Diogo de Barcelos era um negociante de seda, começou por plantar naquela área amoreiras, uma planta importante para alimentar o bicho-da-seda».
Em 1490, Diogo de Barcelos «teve o contrato da seda» no Funchal, segundo o Tenente Coronel Alberto Artur Sarmento  (Freguesias da Madeira, 1953). Parece que foi o primeiro cultivador da amoreira na Madeira, segundo Emanuel Janes, no supracitado artigo, «produção essa, que depois proliferou um pouco por toda a ilha, originando localidades com este nome em várias freguesias».
Ao longo dos anos, cativados pela localização, a vista e pelo interesse económico, o núcleo populacional envolvente cresceu cada vez mais com o pequeno comércio local de "suvenires".

Pico dos Barcelos, Pico do Bucho e Pico da Cruz
(Foto do autor)


Uma das primeiras iniciativas relevantes para a importância do Sítio e do Pico dos Barcelos foi a construção de uma estrada em 1917, facilitando o acesso a este local, onde era «frequentado a toda a hora por inúmeros visitantes nacionais e estrangeiros» (Elucidário Madeirense). Em 1941, foi construído no miradouro pela então «sociedade Juventude Antoniana» da paróquia de Santo António, um Cruzeiro, por ocasião, «das festas centenárias comemorativas da Independência e da Restauração de Portugal» (Elucidário Madeirense). Em 1948 realizou-se a primeira emissão da extinta Estação Rádio Madeira, pertença da família madeirense Portela Ribeiro. Entre 1949 e 1950, a antiga Delegação de Turismo da Madeira, procedeu ao início de um projecto de construção do actual espaço envolvente ao miradouro, (Catálogo da documentação acumulada pela extinta Delegação de Turismo da Madeira Instrumentos Descritivos - 2008 - Miradouro do Pico dos Barcelos - Processo de adjudicação 1949/1950, Regulamentação, Coordenação, e Promoção da Actividade Turística - Miradouros, do ARM). Posteriormente em 1964, teve lugar a inauguração de um nicho dedicado a Nossa Senhora dos Caminhos, no Pico dos Barcelos (Cronologia dos Acontecimentos - séc. XX - CEHA). Na zona circundante ao miradouro, ao longo dos anos, construíram-se pequenas unidades de restauração para apoio aos visitantes e turistas, cujos projectos foram licenciados pela mesma Delegação (Catálogo da documentação acumulada pela extinta Delegação de Turismo da Madeira Instrumentos Descritivos - 2008, do ARM). No sítio e Pico dos Barcelos, na Estrada Comandante Camacho de Freitas, está sedeado o Centro de Formação Profissional da Madeira (actual Direcção Regional de Qualificação Profissional), inaugurado a 16 de Outubro de 1979, estabelecimento este que veio dar resposta à grande necessidade de formação e de reconversão profissional dos trabalhadores da Região Autónoma da Madeira.


Pico dos Barcelos, Pico de Santo António e Pico do Cardo
(Vistos da freguesia de Nossa Senhora do Monte - foto do autor)


O Pico dos Barcelos, (355 metros de altitude), assim como os restantes picos do Funchal, julgamos pelas suas estruturas vulcânicas, que são consequência de episódios vulcânicos recentes, correspondente à actividade vulcânica que ocorreu, «desde há 120 000 anos até há 6 000 / 7 000 anos» na ilha da Madeira, de acordo com o levantamento vulcano-estratigráfico mais recente, efectuado por Prada & Serralheiro (2000). Foram «episódios vulcânicos bem localizados, essencialmente do tipo explosivo, com taxas de erupção reduzidas, situados, na sua maior parte, no Funchal e arredores, mas também no Paul da Serra e no Porto Moniz» (PRADA, S., GASPAR, M.A., SILVA, M.O., CRUZ, J.V., PORTELA, M.M., HORA, G.R., 2003 - Recursos Hídricos da Ilha da Madeira. Comunicações do Instituto Geológico e Mineiro, Tomo 90: 125-142.). Os picos (cones vulcânicos) do Funchal são construídos essencialmente pela acumulação de materiais piroclásticos consolidados em tufos sob a forma de escórias, libertados durante essas erupções vulcânicas.


Pico dos Barcelos e Pico de Santo António
(Vistos da rua do Lazareto - foto do autor)

Ao Pico dos Barcelos, junta-se a uma unidade geomorfológica maior, constituída pelo Pico do Cardo (com 433 metros de altitude) e pelo Pico de Santo António (com 436 metros de altitude), também conhecido por “Pico do Leocok” e "Pico das Romeiras", unidos topograficamente por portelas ou colos. Rodeiam estes picos, os sítios das Casas Próximas, das Romeiras, das Courelas, das Preces, da Chamorra, do Pilar e de Santo Amaro, da freguesia de Santo António.


 Ilhas Desertas
(Foto do autor)



Bibliografia:

CARVALHO, A. M. G. de e BRANDÃO, J. M. (1991). Geologia do Arquipélago da Madeira. Publicação do Museu Nacional de História Natural (Mineralogia e Geologia) da Universidade de Lisboa. Lisboa.
GOMES, Celso de Sousa Figueiredo e SILVA, João Baptista Pereira (1997). Pedra Natural do Arquipélago da Madeira, Importância Social, Cultural e Económica. Madeira Rochas - Divulgações Científicas e Culturais. Câmara de Lobos.
SARMENTO, A. Arthur (1953). Freguesias da Madeira. 2.ª Edição, Junta Geral do Distrito Autónomo do Funchal. Funchal.
SERVIÇO Cartográfico do Exército (1974). Carta Militar. Serie P 821. Edição 1 - S. C. E. P. (Trabalhos de Campo de 1965). Lisboa.
SILVA, Padre Fernando Augusto da e MENESES, Carlos Azevedo de, (1984). Elucidário Madeirense. Fac-símile da edição de 1946. Secretaria Regional de Turismo e Cultura - Direcção Regional dos Assuntos Culturais. Funchal.
SILVA, Padre Fernando Augusto da (1934). Dicionário Corográfico do Arquipélago da Madeira. Edição do Autor. Funchal.
PRADA, S., GASPAR, M.A., SILVA, M.O., CRUZ, J.V., PORTELA, M.M., HORA, G.R. (2003). Recursos Hídricos da Ilha da Madeira. Comunicações do Instituto Geológico e Mineiro, Tomo 90: 125-142.
VERÍSSIMO, Nelson (2004). Toponímia: património a preservar. lharq, Revista de Arqueologia e Património Cultural, n.º 4, Machico, ARCHAIS - Associação de Arqueologia e Defesa do Património da Madeira, pp. 49-59.

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